sexta-feira, maio 20, 2011

Aracajú e São Cristóvão (SE)

Memorial de Irmã Dulce(Acervos de fotos da PASCOM

Memorial de Irmã Dulce(Acervos de fotos da PASCOM

Memorial de Irmã Dulce(Acervos de fotos da PASCOM

Memorial de Irmã Dulce(Acervos de fotos da PASCOM

Memorial de Irmã Dulce(Acervos de fotos da PASCOM

Quinze voluntários atuam pela causa de Irmã Dulce em Sergipe, desenvolvendo trabalho social na sede da Toca de Assis e atuando na disseminação da filosofia de Irmã Dulce no município em São Cristóvão, onde se localiza o convento onde a freira fez seus votos.

Contato Sergipe: Ana Lúcia Aguiar (79) 8819-1367 / 8162-1367 / 3232-1817.

Mulher fala pela primeira vez do milagre recebido de Irmã Dulce

Mulher fala pela primeira vez do milagre recebido de Irmã Dulce
Cláudia guardava o segredo a sete chaves, a pedido da Igreja Católica. Ela ficou entre a vida e a morte, depois de dar à luz o filho. Mas ela resistiu após a foto de Irmã Dulce ser colocada no soro.



O Fantástico conta a história da mulher que guardou um segredo precioso durante dez anos, a pedido da Igreja Católica.

A uma semana da cerimônia de beatificação de Irmã Dulce, na Bahia, uma funcionária pública sergipana fala - pela primeira vez - do milagre que teria recebido da freira baiana.

Dez anos já se passaram. Gabriel tinha acabado de nascer. Cláudia, a mãe dele, até hoje não sabe como conseguiu escapar.

“A enfermeira entrou na sala em que eu estava e eu, com a visão muito turva, perguntei se eu já tinha tido neném. Foi quando ala falou: ‘Você já teve neném, seu filho é lindo’”, lembra Claudia Cristiane Araújo, funcionária pública.

Era um segredo que Cláudia guardava a sete chaves a pedido da Igreja Católica. Todos os personagens dessa história foram investigados por uma comissão eclesiástica do Vaticano, formada por médicos, religiosos e pesquisadores especializados em processos de canonização. Um desses personagens mora em Nossa Senhora das Dores, a 70 quilômetros de Aracaju. É o padre da cidade, José Almi de Menezes.

O padre Almi foi o responsável pelo pedido de socorro. Devoto de Irmã Dulce, quando soube que sua amiga Claudia estava desenganada no hospital, o padre foi visitá-la.

“Peguei a foto de Irmã Dulce, coloquei na haste do soro e disse: ‘Você olha para ela e deixe ela olhar para você. Ela balançou a cabeça. Eu disse: ‘Fique em paz e confia’”, contou o padre Almi.

Claudia diz que tem uma lembrança muito vaga daquele momento. “Eu me lembro da santinha, mas não me lembro do que ele me falou”, comenta.

Na madrugada de 13 de janeiro de 2001, Claudia foi levada da cidade de Malhador, onde mora no interior de Sergipe, para a vizinha Itabaiana. Lá, deu à luz Gabriel, seu segundo filho. Mas depois do parto, com uma hemorragia muito grave, ela ficou entre a vida e a morte.

Foram 28 horas em coma profundo. Todos os recursos disponíveis na maternidade foram utilizados para salvar a vida de Cláudia. E mesmo depois de três cirurgias, os médicos não conseguiram controlar a hemorragia.

O obstetra, chefe da equipe, diz que depois da última cirurgia perdeu a esperança. “Quando eu terminei a cirurgia, eu falei para a família que eu não tinha mais nada a fazer”, disse o obstetra Antonio Cardoso.

O coração chegou a parar de bater. Os rins não funcionavam. A família e os amigos já se preparavam para o pior. “Houve muita corrente de oração. Como é um lugar pequeno, a cidade parou naquela expectativa, só esperando a notícia: ‘Morreu’. De repente, o quadro mudou”, relata Cláudia.

Os médicos custaram a acreditar. “A enfermeira me chamou e eu achei que era para assinar o atestado de óbito. Aí ela me disse: ‘Não, doutor, ela quer ver o filho’, lembra o médico Antonio Cardoso.

O cirurgião Sandro Barral, que participou das investigações a convite do Vaticano, diz que, do ponto de vista médico, não haveria solução: “O paciente que se recupera em uma hora de um quadro daquele, que dois dias depois vai para casa, não tem uma explicação”, reconhece.
Um fábrica em Salvador trabalha para entregar 20 mil imagens em gesso. São as primeiras da Beata Dulce. Na antiga cidade de São Cristovão (SE), o Convento do Carmo está em festa. Foi lá que Irmã Dulce começou sua formação religiosa, em 1933.

“Aqui ficam as bases da sua espiritualidade, para depois ela se dedicar ao serviço aos pobres ”, conta o frei Sormane José Lima, do Convento do Carmo.

São 150 mil atendimentos por mês nas obras sociais de Irmã Dulce. Só um hospital faz uma média de 30 cirurgias por dia e sobrevive de doações e repasses do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A obra até hoje nunca deixou de pagar os fornecedores, nunca deixou de pagar a folha, e isso eu acho que é um milagre da Irmã Dulce”, acredita Maria Rita Pontes, diretora da Obras Irmã Dulce.

Ela passou a vida cuidando dos pobres. Acolhia em casa os doentes que viviam abandonados nas ruas. E eram tantos que chegou a transformar o mercado em enfermaria.

Irmã Dulce morreu em 1992, aos 78 anos. Quando já estava muito doente, recebeu a visita do Papa João Paulo II. Talvez seja esta a única imagem do encontro em vida de dois fortes candidatos a santo. A canonização deles depende da comprovação de um segundo milagre. O primeiro, atribuído à freira baiana, Claudia não se cansa de agradecer.

“Eu não era para estar aqui nesse mundo. Não era para ter criado meus filhos. Quando eu me lembro disso, só agradeço”, se emociona Claudia.

Fonte: Agencia de Notícias do Jornal Floripa

Irmã Dulce, o anjo Bom da Bahia!





Ao atravessar os portões centenários do Convento do Carmo, em São Cristóvão, Sergipe, Olga Braga Santos, 87 anos, é transportada para sua  infância. Única pessoa viva a ter convivido com Irmã Dulce antes de ela se tornar freira, Olga caminha apoiada na neta, quase não ouve direito, mas, com uma lucidez impressionante, relata histórias curiosas da beata ainda adolescente.  

-Olha um teiú ali... Corre! 

Eram brincadeiras de criança. Maria Rita, como Irmã Dulce se chamava quando chegou em São Cristóvão, já tinha 18 anos, mas se comportava como uma menina. Corria atrás de teiús - um lagarto grande muito comum em Sergipe - e adorava a companhia de Olguinha, bem mais jovem, então com 13 anos. 

“Teve um dia que ela tava fazendo hóstia e apareceu um teiú no forno. O bicho saiu correndo e a gente foi gritando atrás”, narra  dona Olga, sentada num dos bancos do claustro onde Irmã Dulce iniciou sua vida religiosa. Durante um bom tempo, as duas eram unha e carne. Na verdade, dona Olga andava mais colada a Irmã Dulce do que o contrário. 

Maria Rita tinha suas obrigações como noviça. Nem deveria falar com quem era de fora do convento. “Ela me dizia: ‘Menina, não fale comigo. Não posso falar com você’. Eu respondia: ‘Então fique calada. Não pode falar, mas pode me ouvir’”, lembra Olga, sobre a paixão inexplicável. “Eu vivia atrás dela, não sei por quê. Queria bem a ela”. 

O relato de dona Olga confirma uma característica que Irmã Dulce carregaria pelo resto da vida: a Dulce menina, a “Mariinha” moleca e bem- humorada que ia ao Campo da Graça ver o Ypiranga, ficaria marcada em sua personalidade.

Moleca
Antes de noviça, Irmã Dulce foi uma criança como outra qualquer. Brincava de boneca, empinava arraia e ia a um terreno baldio fazer guerra de mamonas com os irmãos. Veio a adolescência, veio o noviciado, e ela continuou ligada à infância. 

Escritos deixados por Irmã Maria das Neves, contemporânea de Irmã Dulce na clausura, evidenciam traços da Dulce menina. Questionada sobre o que mais marcou a convivência da freira baiana com as demais, Maria das Neves é direta. “A alegria com que ela convivia conosco, o espírito profundamente infantil, de criança”.  

Maria das Neves confirma também a existência de Celica, boneca de celuloide que Mariinha ganhou da avó paterna, aos 4 anos de idade. Não queria tomar óleo de rícino, mas a avó a convenceu. 

-Ô, minha filha. Se você tomar sem fazer beicinho, vai ganhar uma boneca...   
Celica acompanhou Irmã Dulce no primeiro ano de postulado. Levava a boneca para brincar no espaço conhecido como sítio, anexo ao convento. A área espaçosa, sob árvores frondosas, era utilizada pelas confreiras para o lazer. 
No dia da chegada ao convento, em 8 de fevereiro de 1933, teve medo de não poder brincar mais com Celica. 

-O que é isso?!   

Irmã Prudência, mestra das postulantes, perguntou meio impaciente, ao ajudar Maria Rita a desarrumar os pertences. Encontrou Celica dentro da mala, escondida.

-Agora você vai me dar a boneca e eu vou guardá-la... 

Mas Prudência foi compreensiva. Nas recreações, entregava Celica para Maria Rita brincar. Segundo a biografia Irmã Dulce - O Anjo Bom da Bahia, escrita por Gaetano Passarelli, Celica era colocada num carrinho com folhas de palmeiras e flores.

Fantasias 
A própria imaginação de Irmã Dulce estava atrelada à infância. Nas cartas escritas a sua superiora, em Salvador, fantasiava. “Quando estou varrendo, eu penso que cada grãosinho de poeira seja um acto de amor. Quando corto as hóstias, faço de contas que cada hostiasinha seja uma alma para Jesus”. 

A menina Maria Rita permaneceria no espírito de Dulce para sempre. Irmã Dulce era criança até na hora de dormir. “Minha mãe fazia as camisolas dela. E qual é a que ela mais gostava? A que o tecido era de passarinhos com fundo azul. A camisola ficou velhinha e ela não se desfazia. Muito linda, minha tia”, orgulha-se Maria Rita Pontes, sobrinha de Irmã Dulce.

-Olguinha, estou muito feliz. Recebi o véu...

Irmã Dulce estava perto de se despedir de São Cristóvão. Da mesma forma, dona Olga, deixava a infância para trás. Ficou a imensa saudade dos tempos com Irmã Dulce. “Depois que ela foi embora, tive notícias umas duas vezes, aí não sei mais. Agora vai virar santa, né? Ela merece”.

Domingos de bola na Graça
Antes de Jesus, ele foi o maior ídolo da pequena Maria Rita. Apolinário Santana, o Popó, craque do Ypiranga, tinha a admiração de Irmã Dulce antes de ela se tornar freira. Nascido em 1902, Popó estava no auge da carreira quando a beata ainda era uma criança. Conhecido como “O popular Pópó” ou “Popó, o terrível”, o centro-médio foi um dos jogadores mais populares da história do futebol baiano. Era para ver Popó & cia. que o pai de Irmã Dulce, doutor Augusto, ia com a cria toda para o Campo da Graça, o primeiro estádio com área reservada para torcida construído na Bahia. Maria Rita tinha a companhia dos irmãos Aloísio, Geraldo, Ana Maria e Dulcinha. 

O dia em que o time aurinegro derrotou o Botafogo, com dois gols do ídolo, foi inesquecível para Irmã Dulce. Há relatos de que Maria Rita era uma espécie de mascote para o Ypiranga. 

A menina chegou a dar o pontapé inicial de algumas partidas. A própria freira, décadas depois, falou da sua paixão pelo Ypiranga e por Popó. “O maior castigo pra mim era não deixar eu ir para o campo ver Popó. Tinha as pernas tortas. Se fosse hoje, seria melhor que Pelé”, comparou Irmã Dulce, em entrevista à Rede Globo em 1988. 

Ninguém poderia imaginar que um dia, logo aquela que todos da família chamavam de “machão”, exatamente por gostar de futebol, se tornaria freira. Aliás, mais que isso. Se tornaria a mãe dos pobres, a única beata da Bahia.  Popó, por outro lado, terminou a carreira pobre e pedindo esmolas no estádio da Fonte Nova.

Marias, Dulces e Augustos
Como em Cem Anos de Solidão, clássico de Gabriel García Márquez, a família de Irmã Dulce repete nomes em várias gerações, o que causa certa confusão na sua árvore genealógica. Batizada Maria Rita, Irmã Dulce recebeu o nome da mãe quando se formou religiosa. 

Acontece que uma de suas irmãs, a mais próxima delas, também se chama Dulce (Dulcinha), e deu o nome de Maria Rita a uma das filhas. Dulcinha ainda casou-se com o primo Augusto, mesmo nome do irmão e do pai, que no primeiro casamento, com dona Dulce, teve seis filhos. Um deles, a menina Regina, irmã mais nova de Irmã Dulce, morreu aos 2 meses. Confira a árvore.



Fonte: CORREIO