sexta-feira, dezembro 24, 2010

Natal: não é a festa de aniversário de Jesus

Natal, gostaria de explicar o sentido desta celebração, já que atualmente parece que os cristãos andam meio confusos, sem saber bem o que celebram. Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos. Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?
Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.
Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história. Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento – santos que não pertenceram ao povo de Israel: Sto. Abel, Sto. Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó... Nenhum destes pertencia ao povo de Deus... e no entanto, Deus agia através deles...
Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do seu povo eleito. Finalmente, Deus agiu de modo pleno e total, fazendo-se pessoalmente presente, em Jesus Cristo, que é o cume, o centro e a finalidade da revelação e da ação de Deus: em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo! Então, o nosso Deus não se revela principalmente com ensinamentos, com doutrinas e conselhos, mas com ações concretas e palavras concretas de amor! E tudo isso chegou à plenitude na vida, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo!
Pois bem: são estas obras salvíficas de Deus, realizadas de modo pleno em Jesus, que nós tornamos presente na nossa vida quando celebramos a Santa Liturgia, sobretudo a Eucaristia! Na força do Espírito Santo de Jesus, através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado – todos resumidos em Cristo: na sua Encarnação, no seu Nascimento, Ministério, Morte e Ressurreição e no Dom do seu Espírito – tornam-se presentes na nossa vida.
Vejamos, agora, o caso do Natal. Quando a Igreja celebra as cinco festas do Tempo do Natal (Natividade, Sagrada Família, Santa Maria Mãe de Deus, Epifania e Batismo do Senhor!) ela quer celebrar não o aniversarinho do menininho Jesus... O que ela deseja fazer e faz é tornar presente para nós, na força do Espírito Santo, a graça da vinda do Cristo! Celebrando a liturgia do Natal, o acontecimento do passado (a Manifestação do Filho de Deus) torna-se presente no hoje da nossa vida! Na liturgia do Natal a Igreja não diz: “Há dois mil anos nasceu Jesus”! Nada disso! O que ela diz é: “Alegremo-nos todos no Senhor: hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz!” (Antífona de Entrada da Missa da Noite do Natal). Então, celebrando as santas festas do Natal, celebramos a Manifestação do Salvador no nosso hoje, na nossa vida, no nosso mundo! A liturgia tem essa característica: na força do Santo Espírito torna presente realmente, de verdade, aquele acontecimento ocorrido no passado. Não é uma repetição do acontecimento, nem uma recordação! É, ao invés, aquilo que a Bíblia chama de memorial, isto é, tornar presente os atos de salvação de Deus!
Agora vejamos: a Eucaristia é a celebração, o memorial da Páscoa do Senhor. Como é, então, que no Natal a gente celebra a Missa, que é a Páscoa? Como é que já no Natal a Igreja mete a celebração da Páscoa? É que a Eucaristia não é simplesmente a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo! Essa seria uma idéia muito mesquinha, estreita! Em cada Missa é todo o mistério da nossa salvação que se faz presente, é tudo aquilo que Deus realizou por nós, desde a criação até agora... e tudo isso tem o seu centro em Jesus: na sua Encarnação, na sua vida e na sua pregação, e alcança seu cume na sua morte e ressurreição, na sua ascensão e no dom do Santo Espírito. Então, celebramos as cinco festas do Natal celebrando a Missa, porque aí o mistério, o acontecimento da nossa salvação se torna presente e atuante na nossa vida. Voltando para casa após a Missa do Natal, podemos dizer: “hoje eu vi, hoje eu ouvi, hoje eu experimentei, hoje eu testemunhei e hoje eu anuncio: nasceu para nós, nasceu par o mundo um Salvador! Ele veio, ele não nos deixou, ele se fez nosso companheiro de estrada!” Celebrando a Eucaristia do Natal, recebemos a graça do Natal, entramos em comunhão com o Cristo que veio no Natal, porque recebemos no Corpo e Sangue do Senhor o próprio Cristo que nasceu para nós, e, agora, Cristo ressuscitado, pleno do Santo Espírito! É incrível, mas a graça do Natal chega a nós mais do que chegou para Maria e José e os pastores e os magos. Porque eles viram um menininho no presépio, enquanto nós o recebemos dentro de nós, seu Corpo no nosso corpo, seu Sangue no nosso sangue, sua Alma na nossa alma, seu Espírito no nosso espírito... e não mais um menininho frágil, com esta nossa vidinha humana, mas o próprio Filho agora glorificado, com uma natureza humana imortal e gloriosa, que nos transformará para a vida eterna.
Então, que neste Natal que se faz próximo ninguém cante parabéns para o Menino Jesus, nem fique com inveja dos pastores e dos magos... Também para nós hoje nasceu um Salvador: o Cristo ressuscitado, glorioso, que recebemos no seu Corpo e Sangue e cujo mistério celebramos nos gestos, palavras e símbolos da liturgia!


Dom HENRIQUE Soares da Costa
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju
Publicada: 19/12/2010 Jornal da Cidade

O Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. [Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

No tempo próprio da Liturgia, que atualiza o mistério, está para chegar o Deus Menino, nosso Salvador: Aquele que, depois da desobediência de Adão e Eva, nos abraça de novo e abre o acesso à vida verdadeira. Ele vem para reduzir à impotência a obra do maligno e tudo aquilo que nos faz andar longe de Deus. O Verbo feito menino ajuda-nos a compreender o modo de agir de Deus, para sermos capazes de nos deixar transformar pela sua bondade e misericórdia infinita. A sua vinda serve para nos ensinar a ver e a amar os acontecimentos da vida, o mundo e tudo aquilo que nos rodeia com os próprios olhos de Deus. No meio da atividade frenética dos nossos dias, possa este tempo natalício trazer-nos um pouco de calma e tanta alegria, fazendo-nos sentir a bondade do nosso Deus que Se faz menino para nos salvar e dar nova coragem e nova luz ao nosso caminho.
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha cordial saudação de boas vindas para todos, com votos de um santo Natal, portador das consolações e graças do Deus Menino: nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Em seu Nome, eu vos abençoo, pedindo a Deus um Ano Novo sereno e feliz para todos.

                                                                                            BENTO XVI

NATAL DO SENHOR


O nascimento de Jesus, na história da humanidade, é o sinal de nosso misterioso nascimento à vida divina. A realidade da encarnação é que o Filho de Deus se faz homem para que o homem se torne filho de Deus. Este acontecimento é o começo da nossa salvação, em Cristo, que culminará pela morte e ressurreição de Jesus.
No prefácio I da missa do Natal do Senhor, pois rezamos: “no mistério da encarnação do vosso Filho, nova luz da vossa gloria brilhou para nós”. A realidade que a encarnação do Filho de Deus nos doa é essa: fomos iluminados pela luz verdadeira. Jesus Cristo é a luz que ilumina a humanidade que vive imersa na escuridão, da falta de Deus, de harmonia, de paz em síntese de amor. Vemos no nascimento de Jesus uma manifestação da sua glória, os anjos que entoam o magnífico cântico: glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados (Lc 2, 14).
O Natal do Senhor fala por si só as nossas almas. Basta um instante de silêncio e reviver o que nos narra o Evangelho para sentir uma comoção profunda diante do Menino, numa gruta, no frio, na pobreza... e mesmo assim cantam os anjos do Senhor e anunciam como um acontecimento único, nos traz a paz e a alegria a todos os homens. Que esta experiência do Natal leve às vossas famílias, filhos e todos os parentes. Não estamos sozinhos neste mundo de escuridão... Surgiu a luz verdadeira, que não tem ocaso... Todos temos motivos para estarmos felizes.
Natal, uma palavra encantadora, que nos enche de emoção, parece ser mágica, que tem uma mística, que nos recorda o amigo oculto, a ceia, papai Noel, enfeites natalinos, árvore, pisca-pisca... Que nos convida há parar um instante diante daquele recém nascido, que encerra em si uma infinidade de realidades e que podemos chamar: amor. Jesus nasce numa gruta em Belém, mas quer nasce na nossa vida, em nossas famílias, no nosso ambiente de trabalho, em síntese Ele quer nascer, mas nem sempre encontra um lugar. Que este Natal seja diferente que Jesus nasça no nosso coração e cada um de nós possa transmiti-lo com palavras e obras.

Feliz Natal!!!

Dom Lessa, 23/12/2010