domingo, junho 07, 2009

SANTISSIMA TRINDADE(“o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã, portanto, a fonte de todos os outros mistério



«Ide e ensinai todas as nações,baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19)

O evangelista não tenta comentar. Nos anos 80-90, em que o texto aparece, os cristãos já ouviram falar do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A Igreja ensinou sempre que a Santíssima Trindade é mistério. Os próprios Apóstolos o sentiram. Tinham sido chamados por Jesus, tinham visto nEle o Messias; tinham ficado desorientados quando Ele morre na cruz, a ressurreição restitui-lhes a confiança e a alegria. Mas, afinal, quem é Ele, que relação tem com Deus?

As primeiras pregações de S. Pedro são muito timoratas: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus com milagres e sinais; os judeus mataram-no; mas Deus ressuscitou-o, pois não era possível que o Príncipe da Vida ficasse sob o domínio da morte; recebeu do Pai o Espírito Santo e derramou-o sobre os discípulos; estabelecido por Deus como Senhor e Messias, por Ele nos vem o perdão dos pecados; voltará do Céu para o Juízo Final. (Cf. Act 2,14-36; 3,12-26).

Mas Pedro e os outros discípulos sentem que aquela primeira apresentação de Jesus é demasiado pobre. Recordam-se de muitas coisas que Ele tinha dito e, na altura, permaneceram para eles como enigmas. “Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim.”(Mat 10,39). “Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mat 11,27). “Eu digo-vos que está aqui quem é maior que o Templo. O Filho do Homem até do sábado é Senhor.”(Mat 12,6-8). “Porque o Filho do Homem há-de vir na glória de seu Pai, e então retribuirá a cada um.”(Mat 16,27).“Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado pelos seus anjos, sentar-se-á no seu trono de glória.”(Mat 25,31). “Vereis um dia o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.” (Mat 26,64). “Quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele em fonte de água para a vida eterna.”(Jo 4,14). “Antes de Abraão existir, Eu sou.”(Jo 8,32). “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.”(Jo 9,5;10,10). “Eu e o Pai somos um.”(Jo 10,30). “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, Ele dará testemunho a meu favor.”(Jo 15,26).

Por volta do ano 50, S. Paulo envia cartas às comunidades que tinha criado. Quase sempre, começa assim: “a graça e a paz vos sejam dadas por parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”(II Tess 1,2; I Cor 1,3; Gal 1,3; Fil 1, 2). Mais adiante, diz aos Filipenses: “Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo, (...) obediente até à morte, e morte de cruz.”(Fil 2,6-8). A II Epístola aos Coríntios termina assim: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” (II Cor 13,13)

Pelos séculos adiante, os teólogos e a autoridade da Igreja tentaram cingir um pouco mais o mistério. O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. Mas não são três deuses, Deus é um só. Também não é correcto dizer que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três maneiras diferentes de Deus agir e se revelar (atenção, catequistas!). O Filho fala com o Pai e o Pai apresenta o Filho aos discípulos (Mat 3,17; Marc 1,11; Luc 3,22; Jo 1,33; Mat 17,5; Luc 9,35). O Espírito Santo conduz Jesus para o deserto. (Mat 4,1). O Pai e Jesus enviam o Espírito Santo. (Jo 14,15-15,27).