segunda-feira, novembro 23, 2009

Por que a Missa é chamada de facultativa, votiva, em memória ou de preceito?

Preceito é o mesmo que lei, regra. “Missa de preceito” é uma missa obrigatória, que o padre tem a obrigação de celebrar, e da qual todo católico tem a obrigação de participar, de acordo com o terceiro mandamento da lei de Deus (“Guardar domingos e festas de guarda”) e o primeiro mandamento da lei da Igreja (“Participar da missa inteira nos domingos e festas de guarda”). “Festas de guarda” é o mesmo que “festas de preceito”.
É obrigatório, portanto, participar da missa aos domingos, e também nas outras festas de preceito que não caem no domingo. Antigamente havia muitos desses chamados “dias santos de guarda”, mas, atualmente, a maior parte das festas de preceito foi transferida para o domingo mais próximo, talvez porque, com a crescente prevalência dos interesses econômicos sobre os interesses espirituais, a existência de tantos feriados religiosos tornou-se incômoda para a sociedade...
Fora os domingos, existem hoje apenas quatro “dias santos de guarda” na liturgia católica: a festa de Santa Maria, Mãe de Deus, no dia 1º de janeiro; a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, que se segue ao domingo de Pentecostes; a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no dia 8 de dezembro; e o Natal do Senhor, no dia 25 de dezembro.
Além da obrigatoriedade da missa, o “preceito” também exige que, na missa, seja seguida a liturgia própria da festa em questão. Por exemplo, no dia de Corpus Christi, cuja data é móvel, não se celebra a missa correspondente a esse dia no calendário do tempo comum, mas sim a liturgia própria dessa solenidade.
Existe uma hierarquia entre os diversos tipos de celebração litúrgica: segundo sua importância, elas são denominadas solenidade, festa ou memória.
O capítulo II das “Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário” (1969) especifica as regras para a precedência litúrgica de cada dia. Explica, por exemplo, que o domingo, por ser uma celebração especialmente importante, só “cede” sua liturgia própria para as solenidades e festas do Senhor. Foi o que ocorreu com os antigos “dias santos” que tiveram sua solenidade transferida para o domingo. E se uma solenidade móvel, como o Natal, cair num domingo, a liturgia da missa será a do Natal, e não a do domingo. Mas, no caso dos domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa, a liturgia dominical tem precedência sobre qualquer outra festa. Por isso, se o dia 8 de dezembro cair num domingo, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora será transferida para sábado.
As memórias são as festas dos santos, e podem ser obrigatórias ou facultativas. Para os santos de importância universal a memória é obrigatória em toda a Igreja, e para os demais ela é facultativa, ou obrigatória em âmbito local, como no caso dos padroeiros das paróquias, cidades ou países. A festa de Frei Galvão certamente será sempre celebrada no Brasil e de forma especial no Estado de São Paulo, mas não necessariamente em outros países, e a festa de Santa Paulina será obrigatoriamente celebrada em Nova Trento, mas não necessariamente em outros locais. Já São José, por exemplo, é celebrado universalmente, assim como São Pedro e São Paulo.
A obrigatoriedade da celebração da memória de um santo não significa que aquele seja um dia de preceito, com participação obrigatória na missa. Significa que as missas ou ofícios que forem celebrados naquele dia devem, obrigatoriamente, seguir a liturgia específica da memória do santo em questão. Em alguns casos há leituras próprias, e, em outros, apenas orações próprias.
Não se usa em liturgia o termo “missa facultativa”, e sim, “memória facultativa”. Não existe nenhum dia em que a celebração da missa seja facultativa (embora exista um dia – a sexta-feira santa – em que não se celebra nenhuma missa), mas a participação dos fiéis na missa é facultativa em dias que não sejam de preceito.
Missas votivas são missas que celebram os mistérios de Cristo, de Nossa Senhora ou a memória dos santos, mas em dias escolhidos livremente, fora do calendário normal – desde que esse dia não seja domingo, nem outro dia de preceito ou de memória obrigatória. É um recurso muito usado, por exemplo, por pessoas que desejam pagar promessas, “encomendando” uma missa em ação de graças a determinado santo.

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